3 dez

Papo 10: Marcos Lula

Marcos Lula

Marcos Lula (@marcos_lula), 18 anos, está começando o segundo ano do curso de Arquitetura na faculdade PUC-Goiás.

Dando continuidade a nossa seção Papo 10! mantive na segunda edição, as mesmas questões já feitas para Camilla Lourenço, assim podemos traçar paralelos entre as opiniões desses jovens estudantes que estão ingressando no mercado de arquitetura e design de interiores.

Decoração é possível para todos?
Depende do que se entende por “decoração”. Jamais teria a audácia de tirar o mérito de profissionais que estudaram anos, leram centenas de livros e presenciaram milhares de exposições para se formar um bom profissional e fazer design com competência. Esses, provavelmente farão uma boa decoração, adaptada a realidade de cada cliente. Mas sou consciente de que tanto no Brasil quanto em qualquer lugar do mundo, pagar por decoração é um luxo, já que o valor de tal parte do projeto pode sair bem mais caro que o projeto arquitetônico em si. Pude presenciar a decorações que não foram feitas por profissionais da área muito menos por endinheirados, no entanto não deixam de ser ótimas decorações.

Quando estamos no momento ‘decorar’ o que é mais importante levar em consideração?
O cliente, o tipo de público, enfim, quem você deseja atingir e agradar com o ambiente. É extremamente importante, não apenas na hora de decorar, mas durante todo o processo de formação do espaço ter um conhecimento das características do público, e se for um cliente específico, até mesmo saber sua história de vida, pontos importantes que vão fazer com que ele se sinta confortável no espaço. Muitas pessoas se pintam, usam máscaras, mas em uma conversa de 30 minutos deixam transparecer quem realmente são. Por isso a boa decoração nunca vai partir de páginas de revistas, mas sim de um papel e um lápis.

Conforto e beleza sempre estão aliados na decoração?
Não, nem sempre a decoração é uma boa decoração. Mas na boa decoração, sim, o conforto com certeza é uma das prioridades na formação do espaço.

Qual o cômodo que você mais gosta na sua casa? Por quê?
Certamente a área de lazer. Na nossa área de lazer temos tudo para uma boa convivência familiar e isso pra mim é primordial. Tudo foi pensado em prol da união da família e amigos, desde a piscina até o fogão da bancada, desde que foi construída renderam ótimos jantares, almoços, jogos, aniversários, noites íntimas com os amigos, etc.

Como futuro profissional de decoração. Qual é seu ambiente preferido na hora de elaborar um projeto?

Os espaços de convivência são meus favoritos, são neles que o cliente mostra a você sem prudência alguma o que quer passar para as outras pessoas, como quer ser visto, é um processo interessante, porque além de praticar a sua arte, você a cada dia conhece mais sobre o ser humano, o que acaba refletindo diretamente no seu trabalho.

O que te agrada no mundo contemporâneo da decoração?
Gosto da diversificação, mas infelizmente hoje em dia existe o padrão imposto pelas revistas, ou até mesmo certas lojas que são vistas como “ideais”. A moda agora é o “clean”, não sou contra, mas existe um excesso no uso, que acaba causando uma certa impessoalidade nas casas, fazendo com que elas se tornem iguais umas as outras, não existe arte nisso. Gosto de ousadia, e no mundo contemporâneo isso é permitido, como por exemplo peças criadas a partir de analises biônicas, são únicas e se bem utilizadas deixam o espaço com uma forte expressão. Adoro também quando há uma mistura de objetos clássicos, modernos, com uma pitada da cultura POP, essa é a mistura que eu faria em minha casa, realmente adoro. E para finalizar, o lighting design aplicado, que trás uma identidade, sofisticação e expressão única para os ambientes.

Que tipo de móvel mais lhe agrada?
Não tenho um padrão de preferência, tenho um amor oculto por móveis que carregam traços rústicos , clássicos, ou a mistura de ambos, o tipo de móvel que parece ter sido tirado de uma rica casa de montanha no interior da Suiça. Mas ao mesmo tempo também adoro móveis ao estilo contemporâneo, modernos e com expressão e até mesmo os minimalistas, se utilizados com prudência.

Decorar é..
Transpor gosto, personalidade, história e identidade à um ambiente. Conseguir fazer com que o ambiente seja visto com além dos olhos, o tato.

Na hora de elaborar um projeto quais são as suas inspirações?
Desde conceitos históricos da arquitetura e do design, conceitos que agradem a mim ou ao cliente. No cliente eu observo sua história de vida, seus objetivos futuros, suas roupas e as suas inspirações. Quanto a inspirações profissionais eu diria que sempre estou descobrindo novos gênios, pois ainda estou no começo, minha lista varia bastante, mas os que me influenciam de forma direta são Frank Lloyd Wright, Paulo Mendes da Rocha, Calatrava, Zaha Hadid, Toyo Ito, Irmãos Campana e Grupo Nox.

O que você não suporta em um projeto de decoração ou em um móvel?
Sou bastante flexível, mas não suporto falta de conceito e cópia. Exigir conceito hoje em dia é difícil, já que grande parte dos ‘endinheirados’ brasileiros se resumem a isso, ‘endinheirados’. Infelizmente a cultura não anda junto, o mesmo para a camada mais pobre da população, então para ambos o assunto que interessa se resume em “beleza”. Quanto a cópia, sinceramente eu não entendo porque uma pessoa passa anos em uma faculdade e ao ser contratado para fazer um serviço único, que é o que se espera de um arquiteto ou designer, no entanto ele abre uma revista ou usa o mesmo conceito de seu projeto anterior em todos os seus projetos futuros, fazendo com que tudo se torne igual, sem graça, sem expressão artística, pobre. Como disse anteriormente, a criação não é feita em cima de revistas, mas sim em cima de uma folha de papel em branco.

Lukas

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